
Um fabricante de torneiras em um país, um fornecedor de roscas em outro e um instalador no Brasil só conseguem trabalhar juntos porque concordam sobre o que é um milímetro, um bar ou um litro. Esse acordo ganhou forma definitiva em outubro de 1960, quando a 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, reunida em Paris, adotou o nome e a estrutura do Sistema Internacional de Unidades, o SI.
A história começa bem antes. A França revolucionária criou o sistema métrico no fim do século 18, com o metro e o quilograma definidos a partir de referências naturais. Em 1875, dezessete países assinaram a Convenção do Metro, que criou o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), com sede em Sèvres, nos arredores de Paris, e a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), instância que reúne os países signatários para decidir sobre unidades.
Ao longo da primeira metade do século 20, coexistiam variações do sistema métrico e unidades diferentes para eletricidade e mecânica. A conferência de 1960 organizou esse conjunto em um sistema coerente, batizado em francês de Système International d'Unités, daí a sigla SI usada em todas as línguas.
Na versão aprovada em 1960 havia seis unidades de base: metro, quilograma, segundo, ampere, kelvin e candela. O mol, unidade de quantidade de substância, foi incorporado em 1971, completando as sete unidades de base atuais.
O SI combina três elementos:
A coerência é a principal virtude. Um pascal é exatamente um newton por metro quadrado; um watt, um joule por segundo. Não há fatores de conversão escondidos, o que reduz erros em cálculos de engenharia.
Em 2019, o sistema passou pela maior revisão desde a criação: as sete unidades de base passaram a ser definidas a partir de constantes da natureza, como a velocidade da luz e a constante de Planck. O quilograma deixou de depender de um cilindro metálico guardado em Sèvres.
Para quem fabrica, instala ou mede, o SI é a base de tudo o que precisa ser comparado:
O contrário também ensina. Em 1999, a sonda americana Mars Climate Orbiter se perdeu ao chegar a Marte porque um software fornecia valores em unidades do sistema inglês enquanto outro esperava unidades do SI. O episódio virou exemplo clássico da importância de uma linguagem única.
Mesmo com o SI, o dia a dia de obras e indústrias mantém unidades tradicionais. Roscas e tubos seguem em polegadas, manômetros mostram bar, psi ou kgf/cm², e projetos hidráulicos usam metros de coluna d'água. Saber converter com segurança é parte do ofício de quem especifica e instala. No Brasil, o SI é o sistema legal de unidades, e a metrologia científica e legal é coordenada pelo Inmetro.
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